Se Diablo e Path of Exile construíram boa parte de sua identidade utilizando demônios, catedrais e fantasia medieval ocidental, TARAE: The Unbound quer seguir exatamente na direção contrária.
A Krafton divulgou durante a Gamescom 2026 um novo gameplay de aproximadamente cinco minutos do RPG de ação desenvolvido pelo estúdio Boundary, oferecendo a visão mais detalhada até agora de suas batalhas, classes e criaturas.
O jogo utiliza perspectiva isométrica e coloca dezenas de inimigos simultaneamente contra o jogador, o que inevitavelmente provoca comparações com os gigantes do gênero.
Mas TARAE tenta construir sua própria identidade utilizando mitologia, folclore, história e filosofia do Leste Asiático.
E a escala do projeto começa a chamar atenção: a equipe revelou durante a Gamescom que pretende colocar mais de 80 chefes diferentes pelo caminho.
Um Diablo inspirado pela cultura oriental
TARAE: The Unbound acontece em Taegwido, uma ilha fictícia formada depois que as fronteiras entre os Seis Reinos foram destruídas.
A construção desse universo parte do conceito budista dos Seis Reinos da Reencarnação.
Vida, morte, karma e renascimento não funcionam apenas como elementos decorativos da história. Eles também influenciam diferentes sistemas do RPG.
A Krafton explica que a direção artística mistura referências principalmente das culturas da Coreia, China, Japão e Mongólia, além de elementos históricos associados aos séculos XV a XVII.
O resultado são templos, fortalezas, cidades destruídas e campos de batalha muito diferentes das tradicionais masmorras góticas encontradas em boa parte dos ARPGs ocidentais.
A intenção é fazer com que o jogador reconheça imediatamente que está diante de outra interpretação da fantasia sombria.
Seis personagens, seis maneiras de lutar
O jogador poderá controlar seis Seekers, cada um inspirado por diferentes elementos culturais e históricos.
Entre as classes apresentadas pela Krafton estão figuras baseadas em Manshin, tradição xamânica coreana; Chakho Gapsa, caçadores especializados em enfrentar tigres; geomantes; e até uma kunoichi.
E eles não funcionam simplesmente como personagens diferentes utilizando os mesmos sistemas.
Cada classe possui seu próprio recurso de combate e estrutura de habilidades.
Algumas utilizam espadas.
Outras apostam em artes marciais ou poderes místicos.
Existe até espaço para armas de fogo.
Uma das figuras que mais chamou atenção durante a apresentação é um combatente mais velho capaz de utilizar uma espécie de arma de repetição inspirada em antigos mosquetes.
A mistura parece absurda.
Dentro daquele mundo, entretanto, funciona surpreendentemente bem.
Gameplay mostra hordas sendo destruídas
O novo vídeo da Gamescom deixa bastante clara a principal preocupação da equipe:
os golpes precisam parecer fortes.
Grandes grupos de criaturas aparecem simultaneamente pela tela enquanto o jogador utiliza ataques em área, sequências de golpes e habilidades especiais para atravessar as hordas.
Inimigos são arremessados, esmagados e eliminados rapidamente.
A Boundary afirma que investiu especialmente na sensação de impacto de cada ataque.
Isso também explica por que, apesar da perspectiva isométrica, a equipe não quer que TARAE seja definido simplesmente como mais um clone de Diablo.
O CEO e produtor executivo Koo In-young reconheceu que comparações com Diablo e Path of Exile são inevitáveis, mas afirmou que desde o começo do desenvolvimento a prioridade foi encontrar uma maneira própria de trabalhar a ação propriamente dita.
A experiência acumulada por integrantes da equipe que trabalharam anteriormente em Undecember também está sendo utilizada no projeto.
Mais de 80 chefes
É nos chefes que essa preocupação deverá ser colocada realmente à prova.
A Boundary pretende incluir mais de 80 boss monsters diferentes em TARAE.
Eles serão inspirados em mitos, criaturas e figuras do imaginário oriental.
Entre os conceitos apresentados estão tigres corrompidos pelo desejo, monges apóstatas, espíritos e enormes seres deformados.
Cada chefe terá padrões próprios de ataque e diferentes fases.
A ideia não será simplesmente produzir dano suficiente antes que a barra de vida desapareça.
O jogador deverá aprender movimentos, identificar oportunidades, esquivar no momento correto e utilizar contra-ataques.
Os próprios campos de batalha também poderão mudar durante esses confrontos.
É uma abordagem que adiciona um pouco da lógica encontrada em jogos focados em batalhas contra chefes dentro da estrutura tradicional de um ARPG.
Cinco Elementos, Yin e Yang e karma viram sistemas de RPG
A influência oriental vai além da aparência dos personagens.
A construção das builds também utiliza conceitos como Cinco Elementos, Yin e Yang, karma e ciclo de reencarnação.
Cada classe possui habilidades próprias, mas poderá ser modificada através de traits, support skills e equipamentos especiais.
Essas escolhas criam diferentes ramificações dentro da mesma classe.
Isso significa que dois jogadores utilizando o mesmo Seeker poderão terminar com estilos bastante diferentes.
A Krafton promete que as decisões tomadas durante a evolução serão suficientemente importantes para mudar a maneira como cada personagem funciona durante as batalhas.
A profundidade real desse sistema ainda precisará ser demonstrada.
Mas a intenção é clara: TARAE não quer limitar sua variedade simplesmente à escolha inicial de personagem.
Seis destinos acabam se encontrando
Os seis Seekers também fazem parte da narrativa.
Cada personagem chega a Taegwido carregando seu próprio passado, objetivos e karma.
Inicialmente, eles possuem razões diferentes para atravessar aquela terra.
Conforme a história avança, entretanto, seus destinos começam a se cruzar.
O objetivo central envolve recuperar as Sources espalhadas por Taegwido, necessárias para restaurar o ciclo de reencarnação dos Seis Reinos.
A responsável pelo colapso é uma figura chamada Agasa, que destruiu as fronteiras existentes entre os reinos na tentativa de romper a própria roda da reencarnação.
Ao longo da jornada, os Seekers descobrem os traumas e motivações uns dos outros e gradualmente passam de estranhos para aliados.
Campanha deve durar aproximadamente 40 horas
Outro detalhe revelado durante a Gamescom é o tamanho planejado para a história.
A Boundary trabalha atualmente com uma campanha de aproximadamente 40 horas.
E existe uma decisão importante por trás dela:
a campanha será completamente single-player.
Segundo Koo In-young, a equipe considerou recursos online, mas decidiu priorizar uma experiência narrativa sem as limitações técnicas impostas pela necessidade de sincronizar diferentes jogadores.
A intenção é utilizar essa liberdade para produzir cenas e acontecimentos mais elaborados durante a história.
É uma decisão interessante considerando que a página do jogo no Steam também lista recursos de cooperativo online.
Isso indica que o multiplayer deverá existir fora da campanha narrativa principal ou através de modos separados.
A Krafton ainda precisa detalhar exatamente como essa divisão funcionará.
Será um jogo pago tradicional
Outra confirmação importante envolve a monetização.
TARAE não está sendo desenvolvido como free-to-play.
A equipe trabalha atualmente com o modelo tradicional de venda do jogo completo.
Koo explicou que a intenção é realizar um lançamento simultâneo para PC e consoles como um produto premium.
Possíveis conteúdos adicionais ou outras formas de monetização ainda poderão ser discutidos posteriormente com a Krafton, mas nada foi definido até agora.
É uma informação relevante especialmente porque parte da equipe possui experiência com jogos online e porque ARPGs modernos utilizam modelos comerciais bastante diferentes entre si.
TARAE, pelo menos inicialmente, seguirá o caminho tradicional.
Lançamento está planejado para 2027
A Krafton ainda não anunciou oficialmente um dia ou mês para a estreia.
A equipe de desenvolvimento, entretanto, revelou durante a Gamescom que trabalha mirando 2027.
Atualmente, aproximadamente 110 pessoas participam do desenvolvimento.
A intenção é realizar o lançamento simultaneamente no PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.
As páginas oficiais das lojas ainda exibem a data como indefinida, portanto a janela de 2027 deve ser tratada como meta atual da desenvolvedora, e não como uma data definitiva.
O jogo já pode ser adicionado à lista de desejos no Steam e PlayStation Store.
Fantasia sombria olhando para outro lado do mundo
TARAE: The Unbound entra em um gênero extremamente competitivo.
Diablo, Path of Exile, Last Epoch e diferentes ARPGs já disputam jogadores interessados em destruir milhares de criaturas enquanto constroem personagens cada vez mais poderosos.
Tentar competir simplesmente fazendo mais do mesmo seria difícil.
A Boundary parece saber disso.
Em vez de procurar inspiração em castelos europeus, infernos cristãos e demônios tradicionais, o estúdio está construindo seu universo a partir de budismo, xamanismo, folclore e culturas do Leste Asiático.
O novo gameplay mostra que a pancadaria continuará sendo abundante.
Mas entre seis personagens, mais de 80 chefes, aproximadamente 40 horas de campanha e um sistema de progressão construído ao redor de karma, reencarnação, Yin e Yang, existe uma tentativa clara de fazer TARAE encontrar uma identidade própria.
Se Diablo ensinou jogadores a enfrentar o inferno, TARAE quer descobrir o que acontece quando alguém decide quebrar a própria roda da reencarnação.


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