O R36S se tornou praticamente sinônimo de portátil retrô barato. Por pouco dinheiro, o console entrega uma enorme biblioteca de jogos, uma comunidade ativa e desempenho suficiente para revisitar várias gerações dos videogames. Existe, porém, um problema difícil de ignorar depois de algumas horas de jogo: seu formato vertical não é dos mais confortáveis. É justamente aí que entra o RX6H. O portátil chinês aposta praticamente no mesmo conjunto de hardware encontrado no R36S, mas abandona o formato vertical por um corpo horizontal, com duas pequenas empunhaduras e disposição dos analógicos semelhante à encontrada nos controles do Xbox. O resultado é um console que não necessariamente revoluciona aquilo que já existe nessa faixa de preço, mas resolve uma das maiores reclamações de seu irmão mais popular. E faz isso custando aproximadamente R$ 150 já com impostos, dependendo da promoção. Um R36S com outra roupa Internamente, não existe uma grande surpresa. O RX6H utiliza o conhecido Rockchip RK3326, processador quad-core acompanhado da GPU Mali-G31 MP2 e 1 GB de memória RAM DDR3L. É praticamente o mesmo conjunto que já conhecemos de diversos portáteis chineses dessa categoria. A tela é um painel IPS de 3,5 polegadas com resolução de 640 x 480 pixels, combinação bastante adequada para jogos antigos, principalmente títulos criados originalmente para televisores e sistemas com proporção 4:3. Na prática, a imagem é um dos pontos positivos do portátil. Super Nintendo, Mega Drive, Game Boy Advance e PlayStation ficam muito bem na pequena tela IPS, e o tamanho do aparelho ajuda a tornar a resolução mais do que suficiente para a proposta. O RX6H também pode ser encontrado acompanhado de cartões microSD de 64 GB ou 128 GB. A versão de 64 GB, por exemplo, pode chegar recheada com algo próximo de 15 mil jogos. Quantidade definitivamente não é um problema. Até PlayStation, pode ir tranquilo No sistema original, baseado em EmuELEC, o RX6H apresenta desempenho bastante sólido nos consoles mais antigos. Até o PlayStation 1, a experiência tende a ser muito boa. Jogos de Super Nintendo rodam com tranquilidade e ficam especialmente agradáveis na tela IPS. O primeiro PlayStation também apresenta ótima experiência, inclusive com possibilidades de melhoria na resolução em determinados casos. É depois daí que começam as concessões. O PSP funciona, mas não espere compatibilidade perfeita com toda a biblioteca. Alguns jogos mais leves conseguem entregar uma experiência bastante satisfatória. Um ótimo exemplo são os títulos de futebol, que rodam bem e se beneficiam bastante dos dois analógicos e da ergonomia horizontal do RX6H. Na prática, ter algo próximo da experiência dos antigos jogos de futebol da geração PlayStation 2 rodando em um portátil de aproximadamente R$ 150 é um dos grandes atrativos do aparelho. Mas não se engane: jogos pesados continuam sendo demais para o RK3326. God of War no PSP apresenta desempenho ruim, assim como GTA: Vice City Stories. São jogos que até podem ser executados, mas não representam aquilo para o qual o console deve ser comprado. Quem procura principalmente emulação pesada de PSP precisa olhar para outra categoria de portátil. Os controles são confortáveis — com uma exceção É aqui que o RX6H realmente se diferencia do R36S. O formato horizontal deixa as mãos em uma posição muito mais natural e permite sessões maiores sem a necessidade de instalar um grip externo. Os dois analógicos utilizam um padrão semelhante aos encontrados no Nintendo Switch e ainda são clicáveis. Os botões frontais e o direcional usam membranas, enquanto os gatilhos ficam posicionados na parte superior do aparelho. A sensação dos gatilhos é mais simples, com aquele clique típico de componentes baratos, mas a posição é bastante superior à solução encontrada em alguns portáteis verticais. De maneira geral, os botões são confortáveis. O problema está no direcional. Apesar de não ser desconfortável, ele deixa a desejar em precisão. Isso fica particularmente evidente em jogos de luta. Em Street Fighter, por exemplo, executar movimentos utilizando o D-pad pode se tornar frustrante. Os comandos saem com muito mais facilidade utilizando o analógico. É uma falha curiosa porque boa parte da biblioteca que melhor combina com o hardware do RX6H é formada justamente por jogos 2D. Não chega a destruir a experiência, mas é provavelmente o principal defeito físico do aparelho. Para futebol, GTA, FPS e títulos que utilizam os dois analógicos, entretanto, a experiência muda completamente. Nesse tipo de jogo, o formato horizontal mostra exatamente por que o RX6H pode ser uma escolha mais interessante que o R36S. O som também melhorou Outro ponto em que o RX6H leva vantagem é o áudio. O portátil possui som estéreo, com dois alto-falantes capazes de entregar qualidade bastante aceitável considerando sua faixa de preço. Há também entrada para fones de ouvido, opção especialmente interessante para quem pretende utilizar o console durante viagens ou simplesmente quer aproveitar melhor trilhas sonoras e efeitos dos jogos antigos. Não é um sistema de áudio extraordinário, mas representa uma evolução importante em relação ao R36S. O verdadeiro potencial aparece com ArkOS e PortMaster Usar o RX6H exatamente como ele chega da fábrica já oferece muita coisa. Mas é quando começamos a mexer no sistema que o portátil fica realmente interessante. O console é compatível com ArkOS, solução bastante popular entre os usuários do R36S e de outros aparelhos baseados no RK3326. Com um novo cartão configurado, também é possível aproveitar o PortMaster, plataforma que permite instalar versões adaptadas de jogos originalmente desenvolvidos para PC e outros sistemas. E é aí que um aparelho de R$ 150 começa a fazer coisas que parecem improváveis. Entre os ports disponíveis para essa categoria de portátil estão títulos como: GTA III; GTA: Vice City; GTA: San Andreas; Doom; Half-Life; Stardew Valley; Celeste; Teenage Mutant Ninja Turtles; além de diferentes projetos desenvolvidos e adaptados continuamente pela comunidade. Até Bully já recebeu trabalho de portabilidade, embora versões desse tipo possam ainda exigir ajustes e desenvolvimento antes de atingir desempenho ideal. Isso resolve inclusive uma das limitações da emulação. Se GTA de PSP não funciona bem, por exemplo, existem versões nativas adaptadas de GTA III, Vice City e San Andreas que entregam uma experiência consideravelmente melhor. É uma das maiores vantagens dessa geração de portáteis chineses. Você não fica preso apenas àquilo que o hardware consegue emular. Comunidade aumenta muito a vida útil do aparelho Talvez o maior patrimônio de aparelhos como RX6H e R36S nem esteja dentro do console. Está na comunidade. Novos sistemas, configurações, atualizações, ports e adaptações aparecem constantemente e conseguem ampliar bastante aquilo que uma máquina tão barata consegue fazer. O RX6H também se beneficia desse ecossistema. Isso significa que comprar o portátil hoje não necessariamente limita sua biblioteca ao que está disponível no cartão original. Com disposição para instalar outro sistema e acompanhar projetos da comunidade, as possibilidades aumentam consideravelmente. E esse é justamente um ponto importante para quem está escolhendo entre o R36S e o RX6H. O modelo horizontal não é simplesmente um clone abandonado sem suporte. Ele participa do mesmo universo de modificações que tornou o R36S tão popular. Bateria aguenta uma boa sessão A autonomia varia bastante dependendo do sistema emulado e do brilho utilizado, mas fica aproximadamente entre quatro e seis horas de jogo em condições normais. É uma duração bastante razoável considerando preço, tamanho e proposta. Jogos mais pesados naturalmente aumentam o consumo, enquanto emulações mais simples e brilho reduzido podem ampliar a duração. Não é um console para passar um dia inteiro longe da tomada, mas dá tranquilamente para carregar na mochila ou no bolso e aproveitar algumas boas horas de jogo. RX6H ou R36S? Essa talvez seja a pergunta mais importante. Em desempenho, a diferença é pequena porque os dois aparelhos partem essencialmente da mesma plataforma. A escolha passa principalmente pelo formato. O R36S possui um direcional melhor, algo particularmente importante para quem joga muitos títulos de luta ou jogos 2D que exigem precisão. O RX6H vence em ergonomia. As empunhaduras, o corpo horizontal e a posição dos analógicos tornam o aparelho consideravelmente mais agradável para jogos que utilizam os dois sticks e para sessões mais longas. No R36S, um grip externo pode resolver parte desse problema. No RX6H, essa ergonomia já faz parte do próprio console. Isso também significa menos acessórios e um aparelho mais fácil de transportar. Vale a pena comprar o RX6H? Por aproximadamente R$ 150, é difícil não reconhecer o tamanho do pacote oferecido. Você recebe uma boa tela IPS, dois analógicos clicáveis, áudio estéreo, milhares de jogos disponíveis, ótima emulação das plataformas clássicas, desempenho aceitável em títulos selecionados de PSP e, principalmente, acesso ao ecossistema do ArkOS e PortMaster. O direcional é o grande ponto negativo. Quem compra pensando principalmente em jogos de luta pode acabar particularmente incomodado com sua falta de precisão. Mas todo o restante do conjunto funciona surpreendentemente bem para um videogame dessa faixa de preço. O RX6H também responde uma pergunta interessante para quem já possui ou está considerando comprar um R36S. E se o R36S fosse confortável? A resposta é muito próxima deste portátil. Ele mantém praticamente tudo aquilo que tornou o modelo vertical tão atraente, mas coloca o hardware em um corpo muito melhor para sessões prolongadas. O RX6H não é perfeito e continua carregando vários sinais de sua origem como portátil chinês extremamente barato. Só que, por cerca de R$ 150, essas limitações ficam muito mais fáceis de aceitar. Para quem quer entrar no universo da emulação, brincar com ports e carregar centenas de clássicos no bolso sem gastar muito, o RX6H é hoje uma das opções de custo-benefício mais interessantes dessa categoria. Veredito HitKill Tela: 8/10Ótimo painel IPS para o tamanho e para as plataformas que o aparelho consegue emular. Desempenho: 7,5/10Excelente até PlayStation 1 e competente em alguns jogos de PSP, mas sistemas mais pesados exigem concessões. Controles: 7/10Boa disposição, analógicos clicáveis e ergonomia excelente, prejudicados por um direcional pouco preciso. Ergonomia: 9/10É justamente aqui que o RX6H brilha e supera facilmente o formato vertical do R36S. Sistema e comunidade: 9/10ArkOS, PortMaster e uma comunidade extremamente ativa ampliam muito as possibilidades do aparelho. Custo-benefício: 9,5/10Perto dos R$ 150, é difícil encontrar tanta possibilidade de jogo por tão pouco dinheiro. NOTA HITKILL: 8,5/10 O RX6H pega tudo aquilo que funciona no R36S e coloca em um corpo muito mais confortável. Seu direcional impede que seja perfeito, mas preço, emulação, ports e ergonomia fazem dele uma pequena máquina surpreendente por R$ 150.
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Review | RX6H é o R36S para quem quer jogar sem destruir as mãos
Portátil de cerca de R$ 150 entrega hardware conhecido, tela IPS, boa emulação e suporte ao ArkOS e PortMaster, mas tem no direcional seu principal ponto fraco
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