Nem os desenvolvedores conseguiram escapar dos ladrões durante a Gamescom 2026.
Pelo menos três expositores relataram o roubo de notebooks e outros equipamentos utilizados para apresentar seus jogos durante o evento realizado em Colônia, na Alemanha.
Os casos aconteceram em diferentes áreas da feira e atingiram principalmente desenvolvedores independentes.
O prejuízo, entretanto, pode ir muito além do valor dos computadores.
Algumas das máquinas roubadas continham versões ainda não lançadas de jogos em desenvolvimento, criando o risco de que esses arquivos acabem vazando na internet.
Entre os afetados estão o desenvolvedor independente Ryan Laley, responsável por Mimic, a publisher iam8bit e a Tessera Studios, desenvolvedora de The Zibbo Show.
A Gamescom confirmou que recebeu as denúncias e afirmou que a polícia já investiga os casos.
Desenvolvedor chegou ao estande e encontrou tudo vazio
Um dos relatos que mais repercutiram veio de Ryan Laley.
O desenvolvedor independente viajou da Inglaterra até Colônia para apresentar Mimic, seu próximo jogo multiplayer de terror.
Na manhã de sexta-feira (28), entretanto, ele retornou ao estande e descobriu que os computadores utilizados durante a apresentação haviam desaparecido.
Entre os equipamentos estava um notebook Alienware comprado especialmente para o evento.
Laley contou que inicialmente chegou a perguntar aos expositores próximos se alguém havia movimentado as máquinas.
Rapidamente percebeu que não.
Elas tinham sido roubadas.
E ele não era a única vítima.
Outros equipamentos haviam desaparecido de estandes próximos durante a mesma madrugada.
Gamescom terminou mais cedo para criador de Mimic
O impacto para Laley foi particularmente pesado.
Como desenvolvedor independente trabalhando praticamente sozinho no projeto, ele havia investido milhares de libras para participar da Gamescom.
Isso envolve não apenas os computadores utilizados na demonstração.
Existe o custo do espaço dentro da feira, transporte até a Alemanha, hospedagem e toda a preparação necessária para apresentar um jogo a jornalistas, criadores de conteúdo e potenciais parceiros.
Sem os equipamentos, boa parte desse investimento simplesmente desapareceu.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Laley apareceu bastante abalado ao explicar o ocorrido e afirmou que sua participação efetivamente havia terminado mais cedo.
Segundo ele, o prejuízo foi tanto financeiro quanto emocional.
O desenvolvedor registrou a ocorrência com a polícia.
Dois jogos não lançados podem ter caído nas mãos dos ladrões
A situação ficou ainda mais preocupante quando a iam8bit revelou que também havia sido atingida.
A empresa perdeu dois notebooks utilizados para apresentar jogos a jornalistas e criadores de conteúdo na área de negócios da Gamescom.
As máquinas continham demonstrações de:
Petal Runner e Escape Academy 2: Back 2 School.
O problema é que essas não eram simplesmente cópias comerciais de jogos disponíveis para qualquer pessoa.
Os computadores possuíam builds ainda em desenvolvimento.
A iam8bit alertou que o roubo, além de comprometer sua agenda de demonstrações durante a Gamescom, colocou essas versões inacabadas sob risco de vazamento.
Isso significa que arquivos que deveriam permanecer restritos ao estúdio e às apresentações privadas agora podem estar fora do controle dos desenvolvedores.
Até o momento, não existe confirmação de que qualquer uma dessas builds tenha sido publicada na internet.
Outro estúdio teve armário arrombado
E os problemas não ficaram concentrados em uma única região da feira.
A Tessera Studios, responsável por The Zibbo Show, também relatou ter sido vítima de roubo.
Quando integrantes da equipe chegaram ao espaço reservado ao estúdio na Indie Area na quarta-feira, encontraram um armário de armazenamento arrombado.
De dentro dele desapareceram:
dois notebooks e um Steam Deck.
Os aparelhos continham a demonstração de The Zibbo Show utilizada durante a Gamescom.
Mas havia algo ainda mais preocupante.
Segundo a própria Tessera, os dispositivos armazenavam também informações pessoais, empresariais e outros dados considerados críticos pelo estúdio.
O caso foi comunicado à segurança do evento e à polícia local.
Roubos aconteceram em áreas diferentes
Esse detalhe dificulta tratar tudo simplesmente como um único estande atingido.
Ryan Laley e a iam8bit estavam instalados próximos um do outro na área de negócios.
A Tessera Studios, entretanto, estava na Indie Area, em outro pavilhão do complexo da Koelnmesse.
Isso significa que equipamentos desapareceram de mais de uma região da Gamescom.
A quantidade total de itens roubados durante toda a feira ainda não foi oficialmente divulgada.
Também não existe confirmação de que todos os casos tenham sido cometidos pela mesma pessoa ou pelo mesmo grupo.
Portanto, embora diferentes relatos tenham aparecido simultaneamente, não é possível afirmar neste momento que exista uma única quadrilha responsável pelos roubos.
E a segurança?
É justamente aqui que começou a maior discussão.
A Gamescom possui segurança geral no complexo da Koelnmesse.
Expositores atingidos, entretanto, questionaram como equipamentos conseguiram desaparecer de áreas utilizadas profissionalmente durante períodos em que o evento estava fechado.
Ryan Laley afirmou que entendia que a área empresarial contava com segurança durante as 24 horas e acesso limitado fora do horário de funcionamento.
A iam8bit também destacou que seus computadores desapareceram apesar da presença de segurança da Koelnmesse.
Depois da repercussão, a organização da Gamescom publicou um posicionamento.
Gamescom diz que segurança individual deve ser contratada
A organização afirmou estar ciente dos roubos e disse levar as denúncias “muito a sério”.
Segundo a Gamescom, guardas uniformizados realizam a segurança geral de todo o complexo.
Entretanto, existe uma distinção.
Segurança específica para cada estande precisa ser contratada separadamente pelos próprios expositores.
A organização também afirma recomendar que empresas façam seguro dos equipamentos levados para a feira.
Essas condições, segundo a Gamescom, estão presentes nos termos de participação e nas orientações técnicas entregues aos expositores.
A resposta não foi particularmente bem recebida por parte da comunidade.
Alguns desenvolvedores consideraram que mencionar segurança privada e seguro individual depois dos roubos transferia parte da responsabilidade para as próprias vítimas.
Polícia investiga
A Gamescom confirmou que todos os casos conhecidos pela organização foram comunicados à polícia.
As investigações estão em andamento.
A organização também classificou os roubos relatados como casos individuais e afirmou que segurança permanece entre suas maiores prioridades.
Segundo os responsáveis pelo evento, uma feira dessa dimensão inevitavelmente pode atrair pessoas tentando se aproveitar da movimentação.
A Gamescom 2026 ocupa diferentes pavilhões da Koelnmesse e reúne empresas, imprensa, desenvolvedores e centenas de milhares de visitantes ao longo de vários dias.
Isso não diminuiu a indignação dos estúdios atingidos.
Especialmente porque algumas das vítimas são equipes independentes para as quais perder dois ou três computadores representa um impacto muito maior do que representaria para uma grande publisher.
Comunidade se mobilizou para ajudar
O caso de Ryan Laley acabou provocando também uma grande corrente de solidariedade dentro da indústria.
Depois que o desenvolvedor publicou seu relato, outros profissionais começaram a oferecer ajuda.
Até a equipe de Cyberpunk 2077, da CD Projekt Red, respondeu publicamente oferecendo apoio e indicando que tentaria encontrar equipamentos para ajudá-lo.
Outro desenvolvedor, Joe Henson, acabou contribuindo com dinheiro suficiente para que Laley pudesse comprar um novo notebook.
Jogadores também começaram a apoiar o projeto através do Patreon e adicionando Mimic às listas de desejos.
Laley afirmou posteriormente que a reação da comunidade ajudou a mudar seu estado de espírito depois do roubo.
Ele permaneceu em Colônia durante o restante da Gamescom, embora sem conseguir continuar normalmente a apresentação planejada para seu jogo.
O maior prejuízo pode nem ser o computador
Um notebook pode ser substituído.
Uma build confidencial circulando pela internet é outra história.
Esse talvez seja o aspecto mais preocupante dos roubos registrados na Gamescom.
Máquinas utilizadas por desenvolvedores em eventos normalmente não carregam apenas jogos disponíveis comercialmente.
Elas podem possuir versões internas, ferramentas, arquivos de desenvolvimento, credenciais e informações confidenciais.
No caso da iam8bit, a própria empresa já confirmou o risco envolvendo builds inacabadas de Petal Runner e Escape Academy 2.
A Tessera também confirmou a presença de informações críticas nos dispositivos roubados.
Por enquanto, nenhuma dessas versões apareceu publicamente.
E talvez nunca apareça.
É perfeitamente possível que os responsáveis estivessem interessados apenas no valor dos equipamentos.
Até que as máquinas sejam recuperadas ou as investigações avancem, entretanto, os estúdios precisam considerar outra possibilidade:
alguém saiu da Gamescom carregando não apenas notebooks roubados, mas pedaços de jogos que o público ainda nem deveria ter visto.


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