Quem conheceu a FromSoftware através de Dark Souls, Bloodborne, Sekiro ou Elden Ring não precisa se preocupar: o estúdio não pretende abandonar os jogos single-player.
A preocupação ganhou força principalmente depois de uma sequência incomum de projetos focados no multiplayer. Elden Ring Nightreign transformou elementos do universo de Elden Ring em uma experiência cooperativa, enquanto The Duskbloods leva a experimentação ainda mais longe com partidas competitivas PvPvE para oito jogadores.
Mas Hidetaka Miyazaki, presidente da FromSoftware e diretor de The Duskbloods, deixa claro que essa não representa uma mudança definitiva de direção.
A ideia é justamente o contrário: a FromSoftware quer ter liberdade para fazer os dois.
Multiplayer não é o novo padrão da FromSoftware
A existência de dois projetos multiplayer próximos um do outro naturalmente levantou dúvidas sobre o futuro do estúdio.
Afinal, a FromSoftware construiu boa parte de sua reputação moderna produzindo experiências essencialmente solo, ainda que jogos como Dark Souls, Bloodborne e Elden Ring tenham incorporado sistemas online através de invasões, mensagens e cooperação.
Miyazaki já havia esclarecido essa questão anteriormente ao explicar que The Duskbloods ser fundamentalmente multiplayer não significa que a empresa decidiu direcionar seus futuros projetos para esse formato.
Segundo o diretor, a FromSoftware continua interessada em desenvolver ativamente jogos focados no single-player e que mantenham seu estilo mais tradicional.
Ou seja: não estamos assistindo ao fim do próximo Elden Ring ou Sekiro para dar lugar apenas a jogos online.
Estamos vendo a FromSoftware experimentar.
The Duskbloods nasceu de ideias que não cabiam nos outros jogos
E existe uma explicação interessante para essa mudança temporária.
Durante anos, a FromSoftware foi acumulando ideias relacionadas ao multiplayer que simplesmente não funcionavam dentro da estrutura de seus jogos tradicionais.
Miyazaki explicou que esses conceitos foram sendo guardados conforme o estúdio trabalhava em seus projetos. Eventualmente, havia material suficiente para construir uma experiência especificamente ao redor deles.
Foi daí que surgiu The Duskbloods.
O projeto começou a ser desenvolvido em 2021, inicialmente para o primeiro Nintendo Switch, antes de migrar para o Switch 2.
E embora seja um jogo bastante diferente de Dark Souls ou Elden Ring, ainda existem características imediatamente reconhecíveis da FromSoftware.
Afinal, o que é The Duskbloods?
The Duskbloods coloca oito jogadores em uma mesma partida, controlando guerreiros vampíricos em um mundo gótico.
Só que não estamos falando simplesmente de um battle royale com estética de Bloodborne.
Existem criaturas controladas pela inteligência artificial, chefes, exploração, objetivos individuais, alianças temporárias e confrontos entre os próprios jogadores.
As partidas acontecem em três fases e eliminam progressivamente participantes até restarem três jogadores para o confronto final.
Miyazaki também revelou uma influência particularmente curiosa para o projeto:
jogos de tabuleiro e RPGs de mesa.
Cada jogador começa a partida com objetivos próprios, capazes de criar relações bastante imprevisíveis entre os participantes.
Você pode precisar cooperar com alguém.
Trair alguém.
Caçar determinado jogador.
Ou até formar uma espécie de casamento temporário com outro participante.
É estranho.
Portanto, continua parecendo bastante FromSoftware.
Ainda existe muito de Souls ali
Apesar da estrutura multiplayer, The Duskbloods não abandona completamente aquilo que tornou a FromSoftware famosa.
O combate continua exigindo gerenciamento de stamina, esquivas, bloqueios e leitura dos adversários.
Existem chefes espalhados pelo mapa.
A exploração possui caminhos alternativos.
E o cenário mantém aquela conhecida combinação de arquitetura gótica, criaturas grotescas e um mundo que claramente não parece um bom lugar para passar as férias.
A diferença é a velocidade.
O jogo permite saltos gigantescos e movimentação muito mais vertical, enquanto os confrontos incentivam agressividade maior que aquela normalmente encontrada em Dark Souls.
É quase como observar a FromSoftware desmontando algumas das próprias regras para descobrir o que acontece quando elas são reconstruídas ao redor do multiplayer.
Elden Ring mudou o tamanho da FromSoftware
Existe também outro elemento importante nessa história.
Elden Ring foi gigantesco.
O RPG ultrapassou 30 milhões de cópias vendidas e colocou a FromSoftware em uma posição completamente diferente daquela ocupada nos primeiros anos de Dark Souls.
Esse sucesso também aumentou a confiança do estúdio para experimentar.
A própria trajetória recente mostra isso.
Sekiro: Shadows Die Twice abandonou várias características tradicionais dos Souls.
Déraciné foi uma experiência narrativa em realidade virtual.
Armored Core VI trouxe de volta uma franquia de mechas que passou uma década adormecida.
Nightreign experimentou com cooperação.
Agora The Duskbloods mergulha no PvPvE.
O elo entre esses projetos não é necessariamente um gênero.
É a disposição da FromSoftware em fazer aquilo que seus desenvolvedores consideram interessante.
E existem jogos ainda não anunciados
Talvez essa seja a parte mais interessante para quem está esperando a próxima grande aventura single-player do estúdio.
A FromSoftware possui outros projetos em desenvolvimento que ainda não foram revelados.
Miyazaki comentou em junho que existem trabalhos não anunciados acontecendo paralelamente a The Duskbloods. Ele também reforçou a importância de preservar a liberdade criativa do estúdio para decidir quais tipos de jogos deseja produzir.
Isso não significa que um novo Dark Souls, Sekiro 2, Bloodborne 2 ou Elden Ring 2 esteja confirmado.
Nenhum deles está.
Mas significa que The Duskbloods não representa sozinho o futuro da FromSoftware.
A FromSoftware quer continuar surpreendendo
Talvez seja justamente essa a mensagem mais importante.
Durante muito tempo, seria fácil imaginar a FromSoftware simplesmente produzindo novos Soulslikes indefinidamente.
Existe público.
Existe prestígio.
E, depois de Elden Ring, existe um mercado gigantesco esperando pelo próximo.
Só que Miyazaki parece muito mais interessado em preservar uma característica que acompanha o estúdio há anos:
fazer aquilo que seus criadores acham interessante naquele momento.
Às vezes isso resultará em um gigantesco RPG single-player.
Às vezes em um jogo de mechas.
Às vezes em uma experiência cooperativa.
E aparentemente às vezes em oito vampiros tentando matar monstros e uns aos outros.
Para quem prefere enfrentar os chefes da FromSoftware sozinho, entretanto, a mensagem é simples:
os jogos single-player não estão indo embora.


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